Os eixos da seção anterior são declarados pela organização do congresso, e mudaram por decisão
editorial em 2023. Aqui a divisão é calculada a partir do que se publicou: os descritores
que aparecem juntos formam uma rede, e as comunidades dessa rede são os agrupamentos que o campo produz
sem que ninguém os tenha decretado. São 10 grupos sobre 140 descritores,
cobrindo 1.067 trabalhos.
Os grupos que emergem
Cada trabalho vai para o grupo em que mais dos seus descritores caem.
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O maior grupo reúne 258 trabalhos e o menor
11. 10 grupos para um congresso que declarava cinco eixos por vez é um
resultado em si: o campo se organiza em mais frentes do que a taxonomia oficial comporta.
Ficaram 200 trabalhos sem grupo, os que não declaram nenhum descritor
recorrente o bastante para entrar na rede. Não é ruído a descartar: é a medida de quanto do congresso
escapa a qualquer agrupamento por vocabulário.
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Grupo
Trabalhos
Descritores
tipografia · memória gráfica · design gráfico
258
26
design da informação · educação · tecnologia
197
18
design · informação · comunicação
175
21
acessibilidade · usabilidade · experiência do usuário
É aqui que os grupos se justificam ou não. Ler os termos lado a lado mostra se a comunidade
detectada tem sentido temático ou se é apenas efeito de coocorrência de palavras genéricas.
O terceiro grupo é o caso a observar com reserva: ele reúne design, informação e
comunicação, que são os termos mais gerais do campo e aparecem em qualquer assunto. Ele funciona
menos como tema e mais como o resíduo de quem descreve o próprio trabalho em termos amplos.
Os grupos diante dos eixos oficiais
Linha é grupo emergente, coluna é eixo declarado. O tom mede a concentração dentro do grupo.
Educação
Sociedade
Comunicação
Tecnologia
Teoria e história
Comunicação e mídias
História e memória gráfica
Saúde
Visualização da informação
tipografia
32
16
29
10
77
16
52
1
3
design da informação
62
20
28
32
9
13
4
11
10
design
28
47
31
21
17
8
6
5
acessibilidade
27
22
10
40
8
1
4
4
visualização de dados
21
5
26
18
8
8
3
8
7
metodologia
27
9
19
3
6
3
5
interface
12
13
4
18
2
3
1
1
1
semiótica
4
14
6
1
5
2
1
interatividade
1
1
1
4
2
1
histórias em quadrinhos
2
1
5
1
3
ler a análise
Este é o confronto que a seção existe para fazer. Onde uma linha concentra numa só coluna, a
taxonomia oficial acerta: o grupo de tipografia e memória gráfica cai quase todo em Teoria
e história e em História e memória gráfica, e é o caso mais bem resolvido.
Onde a linha se espalha, a taxonomia não dá conta. O grupo de acessibilidade, usabilidade e
experiência do usuário reúne 125
trabalhos e não tem eixo próprio: distribui-se por Tecnologia, Educação e Sociedade. É a candidatura mais
forte a um eixo novo, e o dado sustenta a proposta sem depender de opinião.
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Grupo
Educação
Sociedade
Comunicação
Tecnologia
Teoria e história
Comunicação e mídias
História e memória gráfica
Saúde
Visualização da informação
tipografia · memória gráfica · design gráfico
32
16
29
10
77
16
52
1
3
design da informação · educação · tecnologia
62
20
28
32
9
13
4
11
10
design · informação · comunicação
28
47
31
21
17
8
6
0
5
acessibilidade · usabilidade · experiência do usuário
histórias em quadrinhos · representação gráfica · mangá
2
1
5
1
0
3
0
0
0
Trajetória dos grupos
Contagem absoluta por edição.
tipografiadesign da informaçãodesignacessibilidadevisualização de dadosmetodologiainterfacesemióticainteratividadehistórias em quadrinhos
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Como os grupos não dependem da taxonomia oficial, a série atravessa a ruptura de 2023 sem
quebra. É a vantagem do agrupamento de baixo para cima: ele permite comparar as sete edições com o mesmo
instrumento, o que a divisão declarada não permite.
Comparar esta trajetória com a da seção anterior mostra quanto da mudança observada lá era mudança do
campo e quanto era mudança de rótulo.
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Edição
tipografia
design da informação
design
acessibilidade
visualização de dados
metodologia
interface
semiótica
interatividade
histórias em quadrinhos
6º CIDI 2013
36
23
36
15
7
13
11
4
3
2
7º CIDI 2015
25
30
22
14
17
14
12
2
3
2
8º CIDI 2017
29
21
24
18
14
12
4
2
2
2
9º CIDI 2019
52
45
41
32
25
17
13
6
1
0
10º CIDI 2021
33
28
17
11
20
12
7
4
0
2
11º CIDI 2023
39
22
20
14
14
5
2
10
0
4
12º CIDI 2025
44
28
15
21
17
8
10
7
2
0
Como os grupos foram calculados
O método, para que o resultado possa ser contestado.
Os descritores presentes em ao menos 5 trabalhos formam uma rede, em que dois termos se
ligam quando aparecem no mesmo trabalho e o peso da ligação é o número de trabalhos em comum. São
140 termos nessa rede.
As comunidades saem por modularidade gulosa, que agrega iterativamente os pares cuja
união mais aumenta a modularidade da rede. O método é determinístico, não exige semente aleatória e não
exige que se declare de antemão quantos grupos existem, o que é justamente o que se quer aqui: deixar o
número de frentes emergir.
A modularidade tem um limite de resolução conhecido: em redes deste porte ela tende a
fundir comunidades pequenas em blocos grandes. O parâmetro de resolução corrige isso, e está fixado em
1.6. Na resolução neutra, educação e visualização de dados saíam num grupo único de mais de
trezentos trabalhos, o que a área não reconhece como uma frente só; com a correção, os dois se separam.
Cada trabalho vai para o grupo em que mais dos seus descritores caem. Grupos com menos de três termos
foram descartados.
ler a análise
Três limites a declarar. O agrupamento depende do vocabulário declarado, e
herda dele a dispersão: quem descreve o próprio trabalho com termos genéricos cai no grupo genérico.
O corte de 5 trabalhos por termo e a resolução de 1.6 são escolhas, e
mexer nelas muda o número de grupos. Ambas foram fixadas no ponto em que os agrupamentos passam a
corresponder a frentes que a área reconhece, o que é um critério de leitura e não de estatística, e por
isso está declarado aqui.
E a atribuição por maioria é grosseira para trabalhos que declaram descritores de frentes distintas,
que são justamente os mais interdisciplinares. Esses ficam no grupo do seu termo mais comum, e não em
dois.