IAUm modelo de IA (Claude), e não uma pessoa, leu cada trabalho e classificou se ele mede desempenho e se considera o lugar de onde fala como parte do que investiga. Os pesquisadores responsáveis decidiram o que classificar. O modelo escreveu os critérios e os aplicou. Isto significa que podem existir erros em alguns casos. O modo como a conferência foi feita está descrito em Procedimentos.
Esta seção classifica os 1.837 trabalhos em dois eixos. O primeiro eixo indica se o
trabalho mede o desempenho da informação, isto é, se ela funciona para quem a usa. O segundo
indica se o trabalho trata o lugar de onde fala como parte do que investiga. Os dois eixos
acompanham a história do campo no Brasil. O design da informação chegou ao país com as primeiras pesquisadoras
da área, que voltaram da Universidade de Reading para a UFPE, em Recife, nos anos 1980 e 1990. Elas trouxeram a
pergunta sobre a eficácia da informação. Depois, o campo cresceu no Brasil: a SBDI foi criada em 2002, o CIDI
acontece a cada dois anos desde 2003 e a revista começou em 2004. Com o tempo, o campo passou a considerar
também o território brasileiro de que trata. A seção mostra os dois eixos nas 12 edições da
base, de 2003 a 2025. Ao todo, 176 trabalhos fazem as duas coisas ao mesmo tempo.
Dos 1.837 trabalhos, 488 medem desempenho,
isto é, testam compreensão, legibilidade, tempo, erro ou adequação a um critério. Os outros
1.349 não medem. No outro eixo, 654 estudam material do
território, e 139 tratam o lugar como uma questão sobre o modo de produzir
conhecimento. Os outros 1.044 não se situam. Os dois eixos se
combinam: 176 trabalhos fazem as duas coisas, e
732 seguem outra abordagem.
Nesta seção, um trabalho situado é aquele que apresenta uma visão de mundo diferente da do Norte
global, isto é, dos países ricos que dominam a produção científica. A perspectiva brasileira conta como a de um
país do Sul global. O eixo tem dois níveis. No território como objeto, o trabalho estuda
material do Brasil ou de outro país do Sul global, mas usa as categorias habituais do campo. No
território como posição, o lugar ou a condição de quem escreve faz parte da pergunta do
trabalho. Isso acontece de quatro modos: as categorias do campo não servem bem ao contexto brasileiro; a
perspectiva é decolonial, isto é, crítica da herança colonial, ou do Sul global; a população excluída da produção
do campo define o método; ou a questão é de justiça, de acesso ou de poder. Um trabalho sobre material de um país
do Norte global, tratado como lugar particular, fica fora do eixo. É o caso de trabalhos sobre a educação em
design em Portugal e sobre o mangá japonês.
As duas tradições, edição a edição
Porcentagem de trabalhos de cada um dos quatro grupos, por edição. Cada edição soma 100%. O número de trabalhos de cada edição está na tabela de dados.
só mede desempenhomede e se situasó se situaoutra abordagem
ler a análise
O gráfico mostra duas mudanças ao mesmo tempo.
Primeiro, o grupo que só se situa cresce, de
22,9% na edição de 2003 para 47% na de
2025, com quedas em 2007, 2011 e 2025. Na última
edição, ele é o maior dos quatro grupos. Segundo, o grupo que não faz nenhuma
das duas coisas diminui, de 57,4% para
21,8%. A maior parte da mudança acontece entre esses dois grupos.
O grupo que só mede desempenho fica entre 12,4% e
22% em todas as edições. O grupo que faz as duas coisas vai de
4,9% para 11,5%: 176 trabalhos
medem desempenho e também se situam. Por isso, não se
pode dizer que um tipo de pesquisa substituiu o outro. Medir se algo funciona e perguntar de onde se fala
aparecem juntos no mesmo trabalho.
Cada ponto do gráfico é uma edição, e não um período escolhido pelos pesquisadores responsáveis. O CIDI
acontece a cada dois anos, e cada edição tem de 61
a 274 trabalhos. Com esse número, um trabalho a mais ou a menos
não muda o resultado.
ver os dados
Edição
só mede desempenho
mede e se situa
só se situa
outra abordagem
2003
9 · 14,8%
3 · 4,9%
14 · 22,9%
35 · 57,4%
2005
12 · 12,4%
6 · 6,2%
23 · 23,7%
56 · 57,7%
2007
15 · 12,9%
12 · 10,3%
27 · 23,3%
62 · 53,5%
2009
18 · 19,4%
7 · 7,5%
23 · 24,7%
45 · 48,4%
2011
35 · 18,8%
10 · 5,4%
36 · 19,4%
105 · 56,4%
2013
41 · 22%
19 · 10,2%
55 · 29,6%
71 · 38,2%
2015
33 · 19,4%
18 · 10,6%
55 · 32,4%
64 · 37,6%
2017
26 · 17%
10 · 6,5%
51 · 33,3%
66 · 43,2%
2019
41 · 15%
37 · 13,5%
104 · 37,9%
92 · 33,6%
2021
25 · 15,9%
11 · 7%
66 · 42,1%
55 · 35%
2023
21 · 13%
22 · 13,7%
77 · 47,8%
41 · 25,5%
2025
36 · 19,7%
21 · 11,5%
86 · 47%
40 · 21,8%
Objeto e posição ao longo das edições
Porcentagem dos trabalhos de cada edição.
território como posiçãoterritório como objetonão se situa
ler a análise
Este painel mostra por que o eixo situado tem três níveis. O território como
objeto sobe de 27,9% para cerca de 40% e fica nessa faixa.
São trabalhos do congresso que estudam material do Brasil com as categorias habituais do campo. O território como
posição segue outro caminho. Ele começa em 0% em 2003, com 0 trabalhos, e chega a
17,5% em 2025.
Se as duas curvas fossem somadas, o crescimento da posição ficaria escondido no total. Separadas, elas
mostram que, nos últimos anos, cresceu a epistemologia, isto é, a pergunta sobre como o
conhecimento é produzido, e não apenas o material estudado.
ver os dados
Edição
território como posição
território como objeto
não se situa
2003
0
27,9
72,1
2005
3,1
26,8
70,1
2007
4,3
29,3
66,4
2009
3,2
29
67,7
2011
0,5
24,2
75,3
2013
4,8
34,9
60,2
2015
5,3
37,6
57,1
2017
7,2
32,7
60,1
2019
7,3
44,2
48,5
2021
12,1
36,9
51
2023
16,8
44,7
38,5
2025
17,5
41
41,5
A medição de desempenho ficou estável
Porcentagem dos trabalhos de cada edição.
mede desempenho
ler a análise
A porcentagem de trabalhos que medem desempenho varia entre
18,6% e
32,3% ao longo de 22
anos, sem subir nem descer de forma contínua. No acervo inteiro, a pesquisa que avalia desempenho reúne
27% dos trabalhos. São 488 trabalhos que medem desempenho, e 176 deles
também se situam.
Por isso, os dois eixos não se opõem. Juntos, eles mostram um campo que manteve a pergunta sobre a eficácia
e passou a fazer também uma pergunta nova.
ver os dados
Edição
mede desempenho
2003
19,7
2005
18,6
2007
23,3
2009
26,9
2011
24,2
2013
32,3
2015
30
2017
23,5
2019
28,5
2021
22,9
2023
26,7
2025
31,1
Os dois eixos no acervo inteiro
Clique numa barra para ver logo abaixo os trabalhos daquela categoria. Os dois eixos são independentes. Por isso, as seis barras não somam o total do acervo.
ler a análise
No acervo inteiro, 488 trabalhos medem desempenho e 793 se situam de
alguma forma: 654 pelo material estudado e 139 pela posição.
Os dois filtros estão no Catálogo e podem ser combinados com edição, eixo temático, instituição ou
palavra-chave. Assim é possível ver, por exemplo, quais trabalhos medem desempenho entre os que tratam o
território como posição.
ver os dados
Eixo
Valor
Trabalhos
%
mede desempenho
sim
488
27%
mede desempenho
não
1.349
73%
situado
posição
139
8%
situado
objeto
654
36%
situado
não
1.044
57%
Como a classificação foi feita
Esta classificação depende de interpretação. O painel mostra como ela foi feita e conferida.
Cada um dos 1.837 trabalhos foi classificado duas vezes, de forma independente,
pelo modelo de linguagem, com critérios escritos antes. As duas classificações coincidiram em
89,1% dos trabalhos no eixo do desempenho e em
88,5% nos três níveis do eixo situado. Os
316 trabalhos com resultados diferentes passaram por um desempate.
ler a análise
A segunda classificação foi feita por um comitê de 4 juízes, isto
é, 4 sessões do mesmo modelo, separadas entre si e da primeira classificação. Cada
juiz recebeu uma parte dos trabalhos, e todos classificaram um bloco comum de 177 trabalhos.
Nesse bloco, os 4 juízes deram a mesma resposta em 95,5% dos casos no desempenho e
em 84,7% no eixo situado, com 6 empates. Antes de comparar os resultados,
cada juiz anotou os limites entre categorias que achou difíceis de aplicar. Dessas anotações saíram as regras
usadas no desempate.
Esse resultado tem um limite. Duas classificações feitas pelo mesmo modelo, com os mesmos critérios,
não equivalem à concordância entre juízes independentes. Elas mostram se os critérios produzem
resultados estáveis, e não se dois avaliadores diferentes chegariam à mesma resposta. O desempate foi feito com
as duas classificações à vista. Por isso, as 316 linhas desempatadas resultam da aplicação das
regras, e não de uma terceira classificação independente.
O comitê classificou os trabalhos das edições de 2011 em diante. Os
306 trabalhos dos anais em CD de 2005, 2007 e 2009 receberam a segunda
classificação na mesma sessão da primeira. As duas não divergiram em nenhum trabalho. Neste caso, a concordância
de 100% mostra só que as duas classificações ficaram próximas. Por isso, a classificação
desses 306 trabalhos tem uma base mais frágil do que a das outras edições.
Os 61 trabalhos de 2003 foram classificados por duas sessões
separadas do modelo, e nenhuma abriu o arquivo da outra. As duas concordaram em 100%
dos casos no desempenho e em 91,8% no eixo situado. Os 5
casos de divergência foram decididos por uma terceira sessão, que releu o resumo sem saber o que cada leitura
tinha dito. Como as três sessões são do mesmo modelo, a concordância mostra que os critérios produzem
resultados estáveis, e não que dois avaliadores diferentes chegariam à mesma resposta.
O modelo leu o resumo, e não o texto completo. Por isso, um trabalho que só declara a sua posição na
conclusão aparece aqui como não situado. 11 trabalhos não têm resumo em nenhum campo da base e
foram classificados pelo título. Os critérios completos, com as treze regras de decisão e o resultado, estão em
Procedimentos.