Os 1.776 trabalhos foram lidos em dois eixos: o primeiro aborda a informação pela
perspectiva do desempenho; o segundo considera o lugar de onde se fala como
parte do que investiga. O design da informação chegou ao Brasil com as pioneiras que voltaram da Universidade
de Reading para a UFPE, em Recife, nos anos 1980 e 1990, trazendo consigo a pergunta pela eficácia. Aqui ele
se desenvolveu: a SBDI é de 2002, o CIDI é bienal desde 2003, a revista saiu em 2004, e o campo foi adquirindo
uma identidade situada, aderente ao território de que trata. Os dois eixos acompanham esse percurso ao longo
das 11 edições que a base cobre, de 2005 a 2025, e 178 trabalhos fazem
as duas coisas ao mesmo tempo.
Dos 1.776 trabalhos, 476 medem desempenho,
por compreensão, legibilidade, tempo, erro ou adequação a critério, e 1.300 não
medem. No outro eixo, 655 têm o território no material que estudam e
139 o tomam como questão epistemológica; os outros 982
não se situam. As duas coisas se cruzam: 178 trabalhos fazem as duas e
684 se dedicam a outra abordagem.
As duas tradições, edição a edição
Composição percentual dos quatro grupos, por edição. Cada edição soma cem por cento; o número de trabalhos de cada uma está na tabela de dados.
só mede desempenhomede e se situasó se situaoutra abordagem
ler a análise
A faixa mostra duas coisas ao mesmo tempo, e vale separá-las.
A primeira: o grupo que só se situa cresce sem interrupção, de
25,8% na edição de 2005 para 48,6% na de
2025, e na última é o maior dos quatro. A segunda: o grupo que não faz nenhuma das
duas encolhe na mesma medida, de 55,7% para
20,2%. É entre esses dois que a composição se move.
O grupo que só mede desempenho mantém a espessura de ponta a ponta, e o que faz as duas
coisas engrossa devagar: 178 trabalhos avaliam e se situam. É isso que impede a leitura de
substituição, porque avaliar se algo funciona e perguntar de onde se fala convivem no mesmo trabalho.
A edição é a janela, e não há janela artificial: o CIDI é bienal e cada edição traz de 93
a 274 trabalhos, base larga o bastante para que um trabalho a
mais não mova a leitura.
ver os dados
Edição
só mede desempenho
mede e se situa
só se situa
outra abordagem
2005
11 · 11,3%
7 · 7,2%
25 · 25,8%
54 · 55,7%
2007
14 · 12,1%
13 · 11,2%
27 · 23,3%
62 · 53,4%
2009
18 · 19,4%
7 · 7,5%
24 · 25,8%
44 · 47,3%
2011
35 · 18,8%
10 · 5,4%
36 · 19,4%
105 · 56,4%
2013
40 · 21,5%
20 · 10,8%
56 · 30,1%
70 · 37,6%
2015
33 · 19,4%
18 · 10,6%
56 · 32,9%
63 · 37,1%
2017
26 · 17%
10 · 6,5%
53 · 34,7%
64 · 41,8%
2019
41 · 15%
37 · 13,5%
106 · 38,7%
90 · 32,8%
2021
24 · 15,3%
12 · 7,6%
67 · 42,7%
54 · 34,4%
2023
20 · 12,4%
23 · 14,3%
77 · 47,8%
41 · 25,5%
2025
36 · 19,7%
21 · 11,5%
89 · 48,6%
37 · 20,2%
Objeto e posição fazem coisas diferentes
Percentual dos trabalhos de cada edição.
toma o lugar como questãoobjeto localnão se situa
ler a análise
Este é o painel que justifica os três níveis. O objeto local sobe de
29,9% para a faixa dos quarenta por cento e ali se estabiliza: é o congresso
tratando de material daqui com as categorias correntes do campo. A posição faz outra coisa:
sai de 3,1% em 2005, 3 trabalhos, e chega a
17,5% em 2025.
Somadas, as duas curvas contariam uma história só, e a mais rasa das duas. Separá-las é o que permite dizer
que o que cresceu nos últimos anos foi a epistemologia, e não apenas o material.
ver os dados
Edição
toma o lugar como questão
objeto local
não se situa
2005
3,1
29,9
67
2007
4,3
30,2
65,5
2009
3,2
30,1
66,7
2011
0,5
24,2
75,3
2013
4,8
36
59,1
2015
5,3
38,2
56,5
2017
7,2
34
58,8
2019
7,3
44,9
47,8
2021
12,1
38,2
49,7
2023
16,8
45,3
37,9
2025
17,5
42,6
39,9
A avaliação não cresceu nem minguou
Percentual dos trabalhos de cada edição.
mede desempenho
ler a análise
A curva oscila entre 18,6% e
32,3% ao longo de 20
anos, sem direção. A tradição de avaliação permanece como cerca de um terço do congresso em todo o período:
476 trabalhos medem desempenho, e 178 deles também se situam.
Os dois eixos se somam na leitura. O que o par mostra é um campo que manteve a pergunta pela eficácia
enquanto ganhava uma pergunta nova.
ver os dados
Edição
mede desempenho
2005
18,6
2007
23,3
2009
26,9
2011
24,2
2013
32,3
2015
30
2017
23,5
2019
28,5
2021
22,9
2023
26,7
2025
31,1
Os dois eixos no acervo inteiro
Cada barra leva ao Catálogo com o recorte dela. Os dois eixos são independentes, e por isso as seis barras não somam o acervo.
ler a análise
No acervo inteiro, 476 trabalhos medem desempenho e 794 se situam de
alguma forma, dos quais 655 pelo material e 139 pela posição.
Os dois recortes ficam disponíveis no Catálogo, e podem ser combinados com edição, eixo temático,
instituição ou descritor: é assim que se lê, por exemplo, quem mede desempenho dentro dos trabalhos que tomam
o lugar como questão.
ver os dados
Eixo
Valor
Trabalhos
%
mede desempenho
sim
476
27%
mede desempenho
não
1.300
73%
situado
posição
139
8%
situado
objeto
655
37%
situado
não
982
55%
Como esta leitura foi feita
A camada é interpretativa, e declara o que a sustenta.
Cada um dos 1.776 trabalhos foi lido duas vezes, de forma independente, por
modelo de linguagem sob rubrica escrita antes. As duas passagens concordaram em
89,1% no eixo do desempenho e em
88,5% nos três níveis do situado, e
311 trabalhos foram ao desempate.
ler a análise
A segunda passagem foi feita por um comitê de 4 juízes, cada um
com uma fatia da fila e um bloco comum de 177 trabalhos lido por todos. Nesse bloco os quatro
decidiram igual em 95,5% do desempenho e em 84,7% do situado, com
6 empates. Antes de qualquer comparação, cada juiz escreveu as fronteiras que achou difíceis
de aplicar, e é dessas fronteiras que saíram as convenções que governaram o desempate.
Fica dito o que isso não é: duas passagens do mesmo modelo sob a mesma rubrica não são concordância
entre juízes independentes. Elas medem a estabilidade da rubrica, e não a de duas cabeças diferentes. O
desempate, por sua vez, foi feito com as duas passagens à vista, e por isso as 311 linhas
desempatadas são decisão de convenção, e não terceira medida.
O comitê leu as edições com DOI. Os 306 trabalhos dos anais em CD,
de 2005, 2007 e 2009, tiveram a segunda passagem na mesma sessão da primeira, e as duas não divergiram em
nenhuma linha. Uma concordância de 100% mede a proximidade entre as duas passagens, e a
leitura desses 306 está apoiada em base mais estreita do que a das demais edições.
A leitura é do resumo, e não do texto integral: um trabalho que só declara sua posição na conclusão aparece
aqui como não situado. 11 trabalhos não têm resumo em coluna alguma e foram decididos pelo
título. A rubrica inteira, com as treze convenções e o resultado, está em
Procedimentos.